Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Antes de mais preciso de dizer que também eu não sendo mãe ainda, gosto de bebés pequerruchos, cor-de-rosa, de chucha ou beicinho. Arriscaria que gosto mais que muitos dos espécimes que vou descrever, mas isso como tudo, é discutível. Acrescento ainda que é uma observação diária e por isso, um tema a desenvolver. Uma tese, quem sabe...

uma seita um grupo de mulheres que entram para o clube das mães depois de o serem. Detectam-se melhor em open spaces. Têm grandes planos das crias, (tiradas a cores em folhas A4, na Xerox da empresa), nos biombos. De cabelo cortado, cabelo mais comprido ("gostava tanto dos caracolinhos dele aqui atrás"), de gatas, a andar, no baptizado. Sim, que neste clube as crianças não têm graça sujas, com a mão na papa ou lambuzadas de chocolate. Há verdadeiras competições entre as associadas: os dentes, o palrar, o sentar, o andar e o falar são itens-chave que todos têm de atingir. E para todas há, secretamente, um tempo certo para o fazer e é invariavelmente aquele em que o seu o fez. Dão o benefício de um mês mais, um mês menos e é tudo. Se o filho de outra teve dentes aos 4 meses, justificam-se: "ah ela é precoce nos dentes..." GOsto destes patamares e vocabulários de mãos dadas: precoce nos dentes é uma expressão de que pouca gente se lembraria. De um dia para o outro são militantes da maternidade. Não tiveram um filho, foram mães. Passaram a saber o que baixa melhor a febre, como dar banho e como se cortam bolos. Ainda que os pequenos ainda não mastiguem, "as mães sabem cortar bolos..." oiço mais frequentemente do que, acreditem, gostaria. Os nomes são de modas e como tal, sazonais. As Beatrizes e os Rafas têm todos entre 4 e 6 anos, os Rodrigos 3 a 1. Há os irmãos com a mesma inicial que, por coincidência, é a do pai. Mas todas falam convictas da sua originalidade. Falam dos dentes, das cólicas, do come não come, dorme não dorme. Descrevem os partos à refeição, bem como as maravilhas e dores da amamentação. Brindam os presentes porque "é de bebés, não tem mal". Muito preocupadas, as carinhosas e extremosas mães, que exibem em voz alta a posta de peixe que compraram e o mais velho "comeu toda", respondem a quem lhes pergunta por cortesia: "Então os dentinhos, como andam? Teve mais entretanto?": "Não, fogo! Agora é todos os dias, não? Era o que faltava, pôrra!"
 



publicado por João Silva às 12:02 |
editado por Marta em 08/12/2008 às 13:07link do post | comentar | favorito

11 comentários:
De fatimaferreira a 10 de Outubro de 2008 às 12:18
Marta, escreve mais sobre isto! :) Gostei, gostei! Tens aqui pano para mangas.
E quando passam a pôr "inho" ou "inha" em tudo quanto é palavra? E os baby blogs? E...(a lista não acaba)
Epá que praga, minha nossa...


De Miguel Gomes da Costa a 10 de Outubro de 2008 às 14:39
"Não tiveram um filho, foram mães." Esta é uma das frases que repito constantemente...estás lá. Essa coisa de "ser Mãe" é uma espécie de estatuto social...nas capas das revistas cor-de-rosa "não-sei-quantas FOI MÃE!" é um tema mensal.
Este tema ainda dá para mais, dá para tudo. E os gajos? Os pais, onde andam? Qual é o papel deles? Inseminadores que desaparecem de cena depois do parto? E as patetices dos "pais babados"? Queremos ler mais!!!


De Marta a 10 de Outubro de 2008 às 14:43
Sim, tell me about it. Faz toda a diferença, mas elas acham que ser mãe é que é. Não é ter filhos, ter bebés que vão crescer naturalmente. Acham que o adubo delas é mágico (é o adubo do amor, dito com a boca em biquinho). Ai que falta de pachorra.
Tenho de abrir o baú está visto, lol vou iniciar uma saga do Clube das mães do biombos. Estilo blogonovela. Banda sonora: "My cubicule" (conhecem com a música do... do coiso... que foi ao Iraque e tem aquela voz fina... estou tão senil Josh? Jack? o You're beautifull, pronto. Albatroz!) esta (http://www.youtube.com/watch?v=cgcl6glfsOg).


De Miguel Gomes da Costa a 10 de Outubro de 2008 às 15:07
Sim, que falta de pachorra. E é uma coisa assim um bocadinho egoísta, que tem mais a ver com a projecção social do indivíduo que pare, do que a do indivíduo que é parido. É como se a criatura recém-nascida fosse um meio para alcançar um fim, em vez do contrário.
E aquelas frases feitas do costume como "mãe é mãe" e "mãe há só uma"? Ui! Que arrepios!


De guifonseca a 10 de Outubro de 2008 às 15:15
"E é uma coisa assim um bocadinho egoísta, que tem mais a ver com a projecção social do indivíduo que pare, do que a do indivíduo que é parido."

Tens tanta razão... como se o bébé fosse um novo mercedes ou uma operação plástica, um motivo de conversa. Não duvido do amor das mães pelas crianças, mas usá-las como vitimização ou projecção... tsc tsc...

Parafraseando Nuno Lopes enquanto "o chato"... "tu queres é aparecer..."


De Marta a 10 de Outubro de 2008 às 16:00
My point(s) exactly. "As mães sabem, as mães sabem tudo" ou oque é sempre bom uma mulher ouvir, a pérola das pérolas: "Pois, mas tu não percebes, não és mãe." Pois não, mas tenho cérebro, vê lá tu (que não és tu, são elas).
E quem quer aparecer são "as mães" (as do tal clube), precisamente, gui.
Alguém que me entenda (os dois, os três, quatro). Dêmos todos as mãos.


De João Silva a 10 de Outubro de 2008 às 16:07
Mas há mães que são diferentes, que têm cabeças de bambis nas paredes e não precisam dos bebés para se inserirem socialmente porque para isso lhes basta a espingarda de caça.

Gostei bastante e partilho a predilecção pela mesma frase que o Miguel elegeu.


De Marta a 10 de Outubro de 2008 às 16:22
Ah mas sobre essas mães deixo para o amigo lobo desenvolver, se quiser. Eu sou expert nestas que me rodeiam o cubicule e enchem a cabeça de qualidades dos miudos que coitadinhos devem ser "só" normais. Outra que adoram e é entre todas sinal de vivacidade e desenvolvimento é: "Ai, está um reguila!" com um sorriso embevecido. Depois, há a variante "um reguilas" mas aí já entramos no português e isso leva-nos para fora de órbita.
Obrigada João :D


De Miguel Gomes da Costa a 10 de Outubro de 2008 às 17:00
Tu estás é doida para parir. Se eu tivesse um útero também pariria, mas não tenho. Em vez disso, tenho de andar a perseguir os favores das portadoras dos úteros, cair-lhes nas boas graças, conseguir enganá-las para infectá-las com os meus genes (o processo de fecundação é muito parecido com uma infecção; um microorganismo intruso entra dentro do núcleo da célula e consegue convencê-la a reproduzir cópias dos genes...puak).
E essas gajas...quer dizer...qual é o mérito? Ena, tiveram bébés. Que grande dificuldade. Deve ser muito custoso fazê-los. E os gajos? Onde é que está a nossa medalha de gajos?! Quem é que tem de estar ali a fazer a maior parte do esforço de cortejar, perder tempo, dinheiro e paciência? E a pressão da testosterona? Se eu tivesse um décimo da testosterona (como as gajas), também me fazia desentendido! Tudo para depois estar ali um tempão (reparem que eu disse "um tempão", gaba-te cesto...), a arfar e a mover a pélvis para trás e para diante?! Aquilo é MUITO CANSATIVO - Por isso é que um gajo dorme a seguir!
E depois onde é que está o mérito? Não há aplausos? Um gajo também trabalha para isto - e muito! Não é justo!
Os bébés também são nossos!!!

Vocês não são pais, não entendem!...


De Marta a 10 de Outubro de 2008 às 17:14
Retive: Tu estás é doida para parir. Tempão, arfar, aplausos a seguir. Esse comentário é um post. Põe lá, vá lá, I can take it. :D
Elas falam do pai condescendentemente, como se fosse incapaz mas tão engraçado por ser assim: "Oh, ele não faz nada..." e sorriem. No fundo é só mais uma confirmação de que o território é delas, das mães profissionais.
Eu? Ah, isso agora... não comento arbitragem. Mas do clube jamais farei parte.


Comentar post

mais sobre mim
Maio 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


posts recentes

Isto é indesmentível

Works e-v-e-r-y-t-i-m-e

Não quero saber...

Sketch: "Homem insensível...

Hello...? Anyone...?

Os sketches! Sim, outra v...

Desafio III

Lançamento do Desafio III

Inspirado em "Rússia cort...

Bom Natal!!!

arquivos

Maio 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

tags

actualidade

albatroz!

aula eduardo madeira

bebé

benfica

benfica tv

certidão

comunicados

concurso

cor-de-rosices

cor-de-rosices texto livre

desafio iii

desafio semanal

elogio funebre

escritório

homem

homem do semáforo

ip

jogos olímpicos

jorge catarino

le loup fou

maddie

mãe

mário calado

marta

miguel gomes

morte

nome de blog

non sense

notícias

óbito

parvoíces

pobres

radio

rádio

referências

religião

ricos

rodolfo

sketch

stand up

texto livre

trabalho de grupo

trabalho susana romana

tv

vídeo

todas as tags

links
blogs SAPO
subscrever feeds