Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

É do café, hoje estou assim. Prevejo mais pela tarde fora. À chegada de almoço, é frequente os grupos de almoço cruzarem-se nos torniquetes das portas. Há dois em cada. Quando há a sorte de se reunirem seres civilizados, os que saem usam um, os que entram, o outro. Mas isso, meus amigos, é tão dificil de acontecer... Assim, é diário o embaraço e a atrapalhação. O corre-corre a ver se chegam primeiro para não terem de esperar e ainda o "quero lá saber, pús o cartão primeiro, passo eu!". Achamos que saímos do liceu, mas não. Voltamos constantemente a esse tempo inconsequente. Também acontece nos corredores (que me fazem sentir dentro do "Starwars", às vezes podia jurar que oiço a Marcha Imperial) um grupo em vez de fazer fila, vir em "barreira", obrigando-nos a quase nos espalmarmos contra as paredes para passarem. Tudo isto para partilhar convosco os delírios que me servem de escape. Hoje vinha com uma amiga e em direcção contrária, seis ou sete pessoas em magote. Lá nos encolhemos para que passassem (nem resmungando, nem falando alto percebem, já tentei, trust me). Imaginei que bloqueávamos o corredor. De que forma? Pondo-nos aos saltos de um lado para o outro no mesmo metro quadrado, a cantar "e esta m**** é toda nosssa, allez, allez!" Pronto, divirto-me assim: a imaginar as caras a ver-nos, de saltos, argolas e malas a saltar e a boicotar a passagem para almoço. E pensei: "Com quem vale a pena partilhar isto? Com os 12!" (já contando com a Fátima que não sei se o Jaime cá virá). Dava alguma coisa? Anyone...?



publicado por João Silva às 13:39 |
editado por Marta em 08/12/2008 às 13:08link do post | comentar | favorito

8 comentários:
De guifonseca a 10 de Outubro de 2008 às 14:14
Queres pessoal para a claque?

Eu entro de certeza! Há individuos que deviam respeitar mais o espaço de passeios e afins... e afins...

Eu salto contigo, mas sem argolas, pode ser?


De fatimaferreira a 10 de Outubro de 2008 às 14:49
Se precisarem de mais gente para a claque, I'm in. Desde que possa usar a minha mala como arma de arremesso...(tal como a Paulinha do Duarte e Companhia que trazia um tijolo na dela....)


De Marta a 10 de Outubro de 2008 às 14:57
Sim, sim, venham todos. Cânticos e faixas contra a falta de chá e educação. Marchas pro-maneiras. Manifs a favor da boa formação de todos.


De Miguel Gomes da Costa a 10 de Outubro de 2008 às 14:59
E as cinquentonas que não se desviam de nós no passeio, mesmo quando vamos carregados com sacos de compras ou malas pesadíssimas?
Olham para nós e fingem que não nos vêem e nós a pensar: "Querida, pode tirar o cavalinho da chuva, que eu levo oito quilos de compras e não vou sair do passeio" e elas continuam em frente, olhando de soslaio, a tentar fingir que não vão bater "não me vou desviar...".
Dá-se a colisão.
Olham-nos com um ar ofendido e incrédulo: "Ai, esta malta nova não respeita ninguém! É tudo aos encontrões! Francamente!".
E no entanto elas não são velhotas de cabelo branco, não estão carregadas com nada, não lhes custava dar um passinho para a esquerda. Mas não. Estão ansiosas para ganhar o estatuto da terceira-idade, querem o lugar no autocarro, querem a deferência e a prioridade no passeio público. Sem estarem habilitadas para isso. É como o Programa Novas Oportunidades, mas na via pública.
É como aquela história de serem Mães. Ou Doutores. Ou Engenheiros.
Portugal vive do Estatuto. Competências, zero; eficiência, zero; cultura e educação, zero; acção e responsabilidade, zero. O que interessa é o Estatuto. A marca da mediocridade é aquela frase gasta: "a idade é um posto!". Para ser velho, basta ficar sentado numa cadeira à espera de ver os anos passar, o estatuto ganha-se automaticamente. O mérito é bem mais difícil.
Enfim.


De guifonseca a 10 de Outubro de 2008 às 15:10
O Zé Diogo Quintela escreveu um texto fantástico há uns anos chamado "Os empata passeios" que adorei e nunca mais me esqueci...

... procurei na net, mas não encontrei, vinha a propósito portanto peço desculpa pela falta de eficácia na pesquisa... deve estar no blog deles.

Eu concordo com o Miguel. Nos passeios, o que deviam ser fintas à Ronaldo, são placagens à Vasco Uva...

gui


De Marta a 10 de Outubro de 2008 às 15:28
O que me leva a pensar que se me cruzasse com o Vasco Uva no passeio... hm... placagem... hm... nada, nada, deixem lá.
Ah sim, a educação, pois. Não conheço o texto do Zé Diogo, tenho de procurar.


De João Silva a 10 de Outubro de 2008 às 16:26
Marta, acho que representas bem situações que toda a gente conhece e que se podia escrever uma série baseada numa personagem como tu: tímida, que não tenta chamar a atenção, que vai sofrendo mais ou menos em silêncio e tentando criar alguns bons hábitos de civismo nos colegas.


De Marta a 10 de Outubro de 2008 às 16:36
Por momentos, senti-me no sofá da Dr. Melfi (sim, há um TOny SOprano em mim)... a pensar alto, mas sem as boquinhas da Ally McBeal não era? Boa! I'm in (para escrever I repeat, para escrever).


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