Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
O Nuno Costa Santos encomendou na aula passada uma sinopse de um "sketch" sobre um tema da actualidade. Passei a semana toda a moer na moleirinha e descartei 50 ideias sem gracinha nenhuma.

Hoje ocorreu-me isto, que nem é grande coisa:

Bolsa de valores em pânico. Computadores e painéis electrónicos a passar freneticamente números negativos. Papéis a voar e espalhados pelo chão. Uma sirene de alarme soa. Ruído de fundo de gritos de aflição e pânico. A câmara faz um "travelling" pela sala e passa por vários correctores, de gravata desapertada, histéricos, suados: um deles mete uma pistola na boca e quando desaparece do plano, ouve-se um tiro. Outros emborcam comprimidos garganta abaixo, fazem hara-kiri com um sabre japonês, atiram-se da janela, seguram uma torradeira de pé, com as calças arregaçadas metidas numa banheira cheia de água (o "zaaap" e clarão da electrocussão só se vê e ouve já fora do plano); de um só se vêem as pernas na parte de cima do ecrã, a balançar suspensas no ar (enforcado), outro, de gatas, enfia a cabeça num fogão a gás.
A câmara chega finalmente a dois correctores; um de gravata desapertada, com um ar desgrenhado, a passar as mãos no cabelo, aflito. O outro tem o casaco aberto, mãos nos bolsos, com um ar sorridente, casaco desapertado, mas a gravata impecável, muito descontraído, como se estivesse alheio à confusão.
Corrector 1: "Meu Deus, meu Deus, precisamos urgentemente de uma injecção de capital! Está tudo perdido! Estou falido! E agora, e agora?!" - e olhando para o outro, com ar intrigado - "olha lá, tu não estás preocupado?"
Corrector 2: "Não. Tudo porreiro, pá."
Corrector 1: "Ah? Falaste com o teu banco?"
Corrector 2: "Não. Pedi ao Estado".

É isto. Da primeira vez que me surgiu, achei muita piada, mas depois de ler...meh. Era isto ou uma piada com a apresentação do Orçamento de Estado, mas os estrategas do Governo fizeram tudo de forma tão cómica, que tornaram as piadas redundantes...brilhante, cavalheiros, tiro-vos o chapéu.


publicado por João Silva às 01:03 | link do post | comentar | favorito

5 comentários:
De João Silva a 16 de Outubro de 2008 às 01:41
Hummm... A minha mente pede algo mais estrondoso para o final. Adoro todo o setting e as personagens. Quando comecei a escrever este comentário parecia-me é que a punchline não seguia o mesmo registo do início do sketch, mas depois vi que dependia bastante da forma como se imagina o trabalho dos actores.

Acho que é também porque os sketches e anedotas que já foram feitos sobre estes anúncios eram ao contrário, não se focavam no banco nem no dinheiro, mas na frase-chave "Não, falei com o teu", que aqui não aparece e que por isso acho que perde um bocadinho. Perde no sentido de estar a puxar para a paródia ao anúncio mas depois não utilizar a sua referência mais identificável.


De Miguel Gomes da Costa a 16 de Outubro de 2008 às 02:20
Sim, também acho. O início funciona por exagero e por sequência de situações de suicídio, que se tornam cada vez mais ridículas. Mas o final...o final é uma treta! Não sei como desenrolar isto com um estrondo...


De João Silva a 16 de Outubro de 2008 às 02:33
A única coisa que me ocorre:

O corrector despreocupado olha em volta, não vê ninguém, saca de uma arma e mata o outro. Marca um número no telemóvel e diz "Pronto, sr. Belmiro, as acções que queria comprar já baixaram de preço. Não, não deu maçada nenhuma. Cumprimentos."


De Miguel Gomes da Costa a 16 de Outubro de 2008 às 04:58
Hmmmm...talvez, sim...deixa-me mastigar isso...


De guifonseca a 16 de Outubro de 2008 às 16:10
Já vim tarde para comentar.

O que se me oferece dizer?
- Concordo com tudo o que o João.
- Gosto do final alternativo que o João escreveu.
- Acho que consegues transformar isto num bom sketch porque o início têm muita piada, Miguel.
- Mais valia teres estado calado, guilherme...

É tudo. Over and Out.
gui


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