Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Aqui vai um sketch que escrevi para um hipotético programa de rádio. Como sempre, agradecem-se os comentários e podem fazer download da versão em pdf. Ainda não me ajeitei com todas as particularidades (leia-se bugs e coisas muito pouco user-friendly) do Sapo, pelo que por agora é mais seguro não pôr aqui uma versão de texto completo directamente no post.



publicado por João Silva às 17:54 | link do post | comentar | favorito

9 comentários:
De Marta a 14 de Novembro de 2008 às 20:52
"entretanto já perdi o depósito" Lol
A ideia está muito gira (com enfâse, não posso escrever/dizer "sim, isso é giro")! Gosto muito do plano do enterro ilegal.
Este teu conhecimento sobre o mundo feminino-carteira-debaixo-do-braço-pra-ir-à-bica, fascina-me.


De joao moreira de sá a 15 de Novembro de 2008 às 07:43
Ideia muito boa. Bem escrito. Parece-me demasiado longo para TV. Eventualmente algumas falas teriam que ser sacrificadas ou encurtadas, retirados elementos “mais fracos”.

É só uma opinião, por inútil que seja é melhor que nenhuma...


Duas picuinhices:

No inicio
“parece que já temos uma chamada em espera”

(não deveria ser: parece que já temos uma chamada em linha?)


depois já quase no final:

LOCUTOR
Costuma dizer-se que os mortos não falam.
ARMINDA
Não falam os que já estão servidos, mas os que
ficam à espera ai falam com certeza. Então o
Álvaro Cunhal, já toda a gente sabia que ele tava
morto há um poder de anos e falava e aparecia na
televisão e tudo.

(posso ser eu mas, percebo mas não conheço a expressão “poder” como quantitativo)


Abraços e mantenham isto. Partilhar argumentos pode quebrar algumas barreiras e unificar. Seja por objectivos profissionais seja pelo mero gozo de criar, é sempre verdade que "a união faz a força", a desunião retira-lhe a cedilha.


De João Silva a 15 de Novembro de 2008 às 14:48
Obrigado pelos comentários e pelas picuinhices, que muito aprecio e que também aponto sempre nos comentários que faço a textos. E concordo com o "em linha" em vez do "em espera", o meu conhecimento do universo da rádio ainda não é muito profundo, confesso.

Mas já agora, o sketch seria para um programa de rádio. Creio que era o que querias dizer, que era muito longo para rádio, não? Pois, acho que podes ter razão, mas quando o escrevi tinha em mente algo como certos sketches dos Caixilhos e Laminados, por exemplo, que por vezes ainda conseguem ser longos.

Quanto à expressão "poder de..." como quantitativo, vem dos lados dos meus avós, alentejanos de Beja e arredores. Talvez não seja tão comum como julgava.


De joao moreira de sá a 16 de Novembro de 2008 às 06:16
Ao ler esqueci que era para rádio, caso em que o tamanho já não me parece desadequado, pois tem o timming de rádio do tipo de programas que simula. Como o texto não perde ritmo, não desprende " a audição. Nesse caso não me preocupava muito em cortar antes de testar gravado.

A expressão poder de mencionei apenas por poderia ser uma gralha e entre confessar a minha ignorância e alertar para uma (porque gralhas de querer uma palavra e "surgir" outra sem que eu repare é uma praga que me advém do hábito da escrita em telemovel-com-a-mania-que-advinha-palavras ) optei por perguntar. Mas não sendo gralha, como o não era, percebi o significado do termo.

O facto de ser um regionalismo, desde que se perceba - e é o caso - funciona bem oralmente, pela diferença da palavra, como ainda funciona como elemento de composição do personagem, ao dar-nos um elemento identificativo da sua realidade social (olha agora dá-me para teorizar, deve ser da hora...)


De Mário Calado a 16 de Novembro de 2008 às 07:25
Viva. Gosto da ideia e acho que como primeira versão está muito bem. Mas há algumas coisas que podem ser melhoradas. Algumas estruturais e outras picuinhices minhas. Acho muito longo e palavroso. Podias ser mais criativo nos nomes (pessoa e terra). Porquê Álvaro Cunhal quando há para aí tanta gente que já morreu e não recebeu a cartinha (Hermano Saraiva, Oliveira, etc.). Qual é a premissa: ela está morta ou não? Não há mal nenhum em estar mesmo morta à espera do funeral e já estar a cheirar mal. Em vez de "eu tou morta" porque não algo que acho mais impactante como "eu morri em 1997" (sei que devia ser 2001 mas parece-me menos engraçado). E não sei se o processo de certidão de óbito passa por um notário, embora isso não seja muito importante... ideias...
Bom trabalho!


De João Silva a 16 de Novembro de 2008 às 11:13
Thanks! Aprecio mesmo muito este tipo de críticas pormenorizadas e construtivas.
Concordo que inserir o pormenor da data da morte tem piada, a tal coisa da especificidade. Talvez até pudesse dizer a razão da morte e descrever com algum pormenor engraçado.
Não pensei na morte dela como algo físico porque achei que coisas como o odor a cadáver, decomposição, etc. não eram o ângulo que queria dar ao texto, por isso fui mais por um deslocamento para algo burocrático, como uma reforma ou uma lista de espera para uma operação, por exemplo. Enquanto não chegam os papéis vai-se arranjando como pode.
Também concordo com a mudança para uma figura pública ainda viva - sempre receoso de uma morte súbita da própria :P -, acho que melhora a comparação por se tornar mais próximo da situação da senhora.
Nos nomes fiquei um pouco indeciso mas acho que também tens razão. Neste momento os nomes são seguros mas não arriscam e de certeza que há terrinhas em Portugal com nomes mais engraçados.
E na minha breve pesquisa vi referências a notários a passarem certidões de óbito, mas de facto é um pormenor a verificar.


De Miguel Gomes a 16 de Novembro de 2008 às 22:04
Hmmm...o teu registo vai muito por aí...vejo aqui um padrão...faz lembrar o texto do homem que perdeu a coragem e telefonou para os perdidos e achados. Morte burocrática, coragem como um objecto perdido...reificação de conceitos abstractos e o seu tratamento com expressões do quotidiano. Tem um cheirinho Kafkiano.


De João Silva a 16 de Novembro de 2008 às 23:54
(Não queres dizer objectificação? Não vem no dicionário mas também não encontrei reificação)

Sim, é uma fórmula que me agrada e creio que tenho outras ideias já escritas ou na gaveta que também seguem o mesmo conceito. Mas acho que tenho o suficiente (Rodolfo, gémeas siamesas, mulher que não consegue divorciar-se, etc.) para haver variedade.


De Miguel Gomes a 17 de Novembro de 2008 às 01:40
Reificação vem do Latim "Res", que significa "coisa". "Coisificação" seria a tradução mais maneirinha...


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