Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
Selecção Nacional Pós-Scolari (“Era Queirós”)
(Tema do texto livre na aula do Roberto Pereira)

Substituir Scolari na Selecção Nacional foi uma tarefa difícil. Inicialmente, com alguns nomes em cima da mesa, tais como Zico, porque falava português, João Pinto porque estava habituado a socar o adversário e José Saramago porque era estrangeiro, a escolha era óbvia e recaiu sobre Carlos Queirós. Este, além de apelido de escritor, já teve bigode e até pode voltar a deixá-lo crescer. Por outro lado, o seu palmarés é invejável: bicampeão de juniores, quando a Selecção Nacional nas camadas jovens nunca ganhara nada, a Taça de Portugal pelo Sporting depois deste passar 13 anos sem qualquer título, e por fim o apuramento falhado da Selecção Nacional para o Mundial de 94, tal como fez a maioria dos seus antecessores portugueses. Por isso, a sua vinda para a Selecção é completamente justificada e promete seguir uma tradição. Além disso, segundo palavras do próprio seleccionador nacional: “Já fazia falta um treinador que se apresentasse em campo de fato e gravata.”

Porém, este seleccionador não fez o percurso típico dos outros treinadores, ou seja, não foi jogador. Normalmente conhecido por professor Queirós, espera-se que ele ensine os jogadores da Selecção Nacional a jogarem futebol. Mas isso não deixa de desiludir o professor, pois os jogadores jogam nos seus clubes, mas têm de ter explicações na Selecção Nacional. Isto já parece um país do terceiro mundo, mas só se excluirmos o Brasil, a Argentina e a França, salienta Queirós. Quando relembrado que a França não é um país do terceiro mundo, o professor não se furtou a esclarecimentos:

– Diga-me lá onde é que nasceu a maioria dos jogadores da selecção francesa?

No entanto, apesar da boa vontade pedagógica de Queirós, Ricardo foi considerado como um caso perdido, e já que em jovem desejava ser avançado, talvez devesse ter optado por essa posição, uma vez que na Selecção a sua prestação já salvou a equipa mais vezes a marcar do que a defender. As esperanças na defesa da baliza da Selecção Nacional estão depositadas em Quim, mas o seleccionador está a equacionar deixar esse lugar vago, porque depois de Vítor Baía, Ricardo e agora de Quim, estar lá alguém ou não, é a mesma coisa.

A lista dos seleccionados de Queirós é, no entanto, mutável. Tendo isso em conta, ele pondera seleccionar os irmãos Guedes, porque tem piada lá ter mais dois manos e assim só se chama um encarregado de educação, mas também porque o seleccionador está de olho em outros campeonatos. Pois a par com Miguel Veloso e Nuno Gomes aumentariam a beleza do plantel e, desta forma, a equipa poderia concorrer de igual para igual com a Squadra Azura no concurso das selecções com homens mais bonitos e assim haveria uma competição na qual a Itália não ficaria sempre à nossa frente. Além do upgrade em beleza, a equipa ganharia ainda com os irmãos Guedes a vantagem destes não perderem lances para ajeitar a bandelete ou desviar os cabelos dos olhos.

Numa consulta aos adeptos fervorosos da Selecção Nacional, eles afirmaram que já vai sendo tempo de mudar o slogan: Em cada janela uma bandeira, para: Em cada mesa-de-cabeceira um sonífero, já que após um jogo da selecção só assim se consegue dormir.

Queirós, quando há 15 anos deixou a selecção, afirmou ao sair: “É preciso limpar a porcaria que há na Federação”, resta agora saber se a Federação está limpinha, ou se ele, não conseguindo vencer a sujidade se juntou a ela. Com essa dúvida também ficou Ferguson, que lamentando a saída do seu adjunto deu-lhe dois presentes na despedida: um pacote de detergente OMO, pois branco mais branco não há e um bilhete de volta na Easyjet.


publicado por João Silva às 01:03 | link do post | comentar | favorito

10 comentários:
De Mário Calado a 10 de Outubro de 2008 às 03:42
"mas o seleccionador está a equacionar deixar esse lugar vago, porque depois de Vítor Baía, Ricardo e agora de Quim, estar lá alguém ou não, é a mesma coisa."

muito bom!


De Marta a 10 de Outubro de 2008 às 09:33
Bom e verdade :P
Também, gosto do "ganharia ainda com os irmãos Guedes a vantagem destes não perderem lances para ajeitar a bandelete ou desviar os cabelos dos olhos". Embora eu seja uma tiffosa da azzurra incorrigível (sim, num Portugal Itália não hesito).
Adorei o toque do bilhete de volta.


De Miguel Gomes da Costa a 10 de Outubro de 2008 às 21:00
Definitivamente, não pesco nada de futebol. :(
Não sou um bom português.


De Marta a 11 de Outubro de 2008 às 13:35
Eu também não, deixa lá, se torço por Itália incondicionalmente. Lol
Ah espera isto agora abiur mais um mundo de possibilidade, apanham-se vários públicos: o qu enão gosta, o qu enão percebe. E o que percebe por vários motivos: teoricamente a Itália joga o anti-jogo por estar sempre na defesa/contra-ataque, ou ainda "só gostas porque tem os mais bonitos". Hm... vou pensar melhor nisto...


De Sónia a 11 de Outubro de 2008 às 14:34
Para o Miguel e para a Marta que não percebem de futebol. Eu ensino. Lição nº 1: O Benfica é o maior.
Mas se forem ao Norte, apesar da regra ser a mesma, pronuncia-se: O Benfica é o máior.
Percebido?


De Marta a 11 de Outubro de 2008 às 15:48
Ei, eu não queria dizer que não percebia. Era que não sou boa portuguesa.
O maior para mim é outro :)
Eu também sei quem foram os campeões do mundo de Riade e Lisboa com o Queirós, a diferença entre um Baía e um Ricardo. Não vibro com a selecção mas com a genialidade do Ronaldo, a trivela do Quaresma e a distribuição do Moutinho. Gosto da defesa Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira. E claro, poria sempre Nani a jogar e não Nuno Gomes.
Já com a azzurra, não posso descrever a minha reacção no mundial depois da meia-final com a Alemanha, não me fica bem como cidadã lusa.
Eu gosto e percebo. Só que me interesso mais pelo internacional que o nacional, that's all.


De Sónia a 11 de Outubro de 2008 às 16:56
Ah...Ok... Então, já não te posso enganar.


De Sónia a 11 de Outubro de 2008 às 16:58
Mas resta o Miguel! Miguel, presta atenção rapaz! A lição nº1 é: O Benfica é o maior.


De guifonseca a 11 de Outubro de 2008 às 19:17
A Marta percebe muito mais de futebol do que eu... :S

... se bem que a lição nº1 da Sónia, sei-a de cór! :D


De Marta a 11 de Outubro de 2008 às 20:59
nope, sócia desde 92, simpatizante toda a vida. Lugarzinho com vista directa para os livres do Bruno Alves (Humpf...), falhanços de Veloso, penalties falha/não falha de Moutinho. :D


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